segunda-feira, 2 de julho de 2012

Entrevista de Robert em Berlim


Hey Rob, é bom conhecê-lo. Como está?  
Robert: Bom, bom, obrigado.

Como gosta de Berlim?
(Ele ri.) Eu adoro, mas é tão aborrecido. Todas as vezes, é no início ou no fim da promoção do filme. Todas as vezes sinto que estou aqui apenas por um único dia, e por isso, nunca chego a vê-la.

E agora, eles colocaram-te numa quarto muito escuro para as entrevistas, não é verdade?
R: E há pessoas que estão do outro lado das janelas (risos)... é um pouco estranho.

Vamos falar de Cosmopolis. Nas cenas na limusine, a câmara parece estar sempre muito perto de ti, e foca o teu rosto. Era difícil?
R: É estranho porque podes remover os pedaços da limusine, mas ainda é do mesmo tamanho que uma limusine normal. E a câmara estava num guindaste, e literalmente, estava muito perto do meu rosto. Movia-se por controlo remoto, como um robô. E não havia mais ninguém no carro, o que era estranho. Começas uma relação completamente nova com a câmara. É como se estivesses mais ou menos ciente disso, ao mesmo tempo. É estranho, porque não há ninguém de verdade, por detrás da câmara. É um aspecto totalmente diferente de fotografar.

E como foi interpretar uma personagem mais obscura, depois de "Crepúsculo"?
R: A primeira coisa que filmei, queria que não fosse uma coisa declarativa, o fato, o cabelo, tudo. É como: As suas roupas não dizem nada, o carro não diz nada. Nada diz nada. E tu não dizeres nada é uma das coisas mais assustadoras que já fiz. Estava a virar-me para Jay Baruchel, na primeira cena, e tu apercebeste que o teu rosto não está a fazer nada, tu não tens olhos (por causa dos óculos escuros). É de dar cabo dos nervos.

O quê que acha da personagem que interpreta?
R: Eu realmente gosto dele. Muita gente vê-o como sendo um tipo apático, o que poderá ser culpa minha. Quer dizer, eu fiz isso, eu queria humanizá-lo. E algumas pessoas realmente vêem. Outras pessoas pensam que é uma pessoa que não se importa com nada, e eu acho que ele, realmente, importa-se com várias coisas. Ele é apenas um egomaníaco. Como ele pensa que é a única pessoa no mundo, ele quer ser Deus. Mas não de uma forma gananciosa, ele só pensa que o é. É apenas a maneira como ele nasceu.

Com que acha que Eric Packer se preocupa?
R: Ele é uma daquelas pessoas que olham para o mundo... Sabes quando acordas, e queres fazer do mundo um lugar melhor? Ele quer fazer do mundo um lugar melhor, mas apenas as suas ideias vão torná-lo num lugar melhor. Ele não se importa de fazer um lugar melhor para ninguém. Ele não acha que ninguém mais existe. É com isso que ele se preocupa. Elevando as pessoas ao seu nível de percepção.

Há algo nele que goste?
R: Eu acho que ele é muito engraçado. Gosto do facto de que ele está a falar com as pessoas que não vai demitir. Ele quer as pessoas para a etapa até ao desafio. Ele é como: "Vamos lá, diga alguma coisa, rápido, seja inteligente!" E toda a gente o desilude. Nunca é o suficiente. Mas quando alguém o intriga ou confunde, ele é, literalmente, essa coisa enorme, porque ele é tão surpreso que alguém pode dizer alguma coisa interessante. Como na cena com Paul Giamatti, ele acha que é literalmente um oráculo, até que se apercebe que é uma loucura. Mas no início, é fascinado por ele. É realmente esfomeado pelo conhecimento.

Por falar nisso. A cena com Paul Giamatti foi bastante longa, com imensa quantidade de diálogo. Como foi isso?
R: Foi muito divertido. Paul é um actor incrível. Ele foi o único ligado a ele (o projecto), quando me inscrevi. E depois de vê-lo no final, é como um tiro longo. É uma cena de 22 páginas, como um mini-filme por si só, e que poderia ter sido interpretado de qualquer maneira. Mas eu dei-me bem com o Paul, e divertimo-nos muito a fazer isso.

Qual foi o seu primeiro pensamento, quando Cronenberg, o chamou e ofereceu-lhe este papel? Viu isso como uma oportunidade de não ser o "Twilight" estrela?
R: Eu não estava a tentar fugir de qualquer coisa. Mas apenas, para ser chamado por ele... quer dizer, ele é um dos directos mais incríveis no mundo. Fiquei espantado. E especialmente, para um guião como este, é um guião rígido. E é o que eu sou em casa cena. Há muito diálogo e é muito subtil. Estou realmente impressionado.

Como se sente sobre esses fãs de 15 anos de idade a acampar no local de estreia? Sente como no "Crepúsculo, que é uma sombra que nunca se livrará, ou só está realmente feliz por estarem a apoiá-lo?
R: É incrível. Se eles vão ver o filme, é uma loucura. Muitos fãs de "Crepúsculo" não estão animados para vê-lo, mas eles sentem que não o percebem, mas QUEREM percebê-lo. Muita gente comprou livros de Don DeLillo, e eu falei com pessoas que têm cerca de 16 anos, e leram "Cosmopolis" e "Underworld", entre outros, e isso é absolutamente incrível. Esta é a provavelmente a melhor coisa que fiz, desde que comecei a representar! (Inspirar os fãs a ler Don DeLillo.) Eles viram os filmes todos do David, e está bastante gente que não os entende, mas haverá alguém que realmente entende, e não é louco ou algo assim parecido, mas é uma mudança de vida. É uma coisa inspiradora, quando tu entras em literatura pós-moderna. É uma loucura, para inspirar alguém a ler DeLillo, numa idade tão jovem... Eu não sei o que mais poderia inspirá-los. Eu nunca tinha lido o seu trabalho, e agora li toneladas dele. E conhece-o bem, e acho que ele é incrível. Ele estava connosco na promoção do filme, até agora. Não o tinha encontrado antes. Mas eu gosto realmente dele. É muito diferente do que eu pensei que ele seria. É muito engraçado e directo. Sabe muito sobre filmes. E estou espantado que haja pessoas fazendo filas e gritando por isso. É hilário.

O filme é sobre dinheiro, no geral. Quão importante é o dinheiro e o sucesso, para si?
R: O sucesso é importante. O dinheiro, acho que é importante, mas estou muito ciente do facto de que é importante, quando for mais velho. Quando és jovem vê-lo como "Nah, não me importo com isso", e achas que serás sempre capaz de ganhar dinheiro. Não é realmente uma coisa real até que não o tenhas. Então aí, é real.

Uma questão privada: Eu sei que os fãs gostariam de saber o que ofereceu a Kristen, no seu aniversário, no mês passado...
R: (Risos.) Eu nunca falo sobre coisas pessoas, desculpe.

E com um piscar de olhos, ele diz: "Parece que desperdiçou a sua última pergunta."

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